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sábado, 12 de abril de 2008

Estresse: vilão ou bonzinho?


Saiba como administrar algo tão comum nos dias de hoje

Por Thaís Bronzo


Corre para cá, corre para lá, trânsito, violência, competitividade no trabalho, a agitação da vida moderna: tudo isso gera estresse. Apesar de frequentemente descrito como algo ruim, o estresse, se bem administrado, pode trazer benefícios principalmente no campo profissional.

O estresse é a reação do organismo a uma situação que exige grande adaptação. De acordo com o psiquiatra e psicoterapeuta Tito Paes de Barros Neto, diretor do Centro Psicológico de Controle do Stress (CPCS), este estado de tensão causa uma ruptura no equilíbrio interno do organismo. “Este equilíbrio interno é chamado de homeostase e, quando ele é rompido, não há entrosamento entre os vários órgãos do corpo. Chamamos de estresse inicial quando alguns órgãos precisam trabalhar mais que os outros para poderem lidar com o problema”, diz Barros.

Mas o estresse que era inicial pode migrar para uma fase mais avançada, com implicações diferentes em nosso organismo. Segundo Barros, as fases do estresse são: alerta, resistência, quase exaustão e exaustão.
- Na fase de alerta há uma maior produtividade e motivação, existindo, no entanto, a quebra na homeostase do indivíduo. Com este desequilíbrio interno há um esforço maior despendido, visando um enfrentamento da situação desafiadora;
- Na fase de resistência há uma busca pelo reequilíbrio, acarretando uma grande utilização de energia. Nesta fase, já há dificuldade de memória;
- Na fase de quase exaustão há momentos que o indivíduo consegue resistir as tensões e em outros não consegue. Apresenta cansaço, ansiedade e desconforto. Algumas doenças podem aparecer; e
- Na fase de exaustão há um comprometimento físico muito grande, há exaustão psicológica. Neste momento é importante a procura do médico.

Em geral, os principais sintomas do estresse são: tensão muscular, irritabilidade, acordar cansado pela manhã, dificuldade de memória e concentração, ansiedade, problemas dermatológicos, retração de gengiva, desânimo e depressão.

A psicóloga Cristiane Gebara Ferreira, também diretora do Centro Psicológico de Controle do Stress (CPCS), afirma que o estresse na fase de resistência, quando bem administrado, leva a pessoa a uma alta produtividade, portanto, é muito bem visto pelas empresas. “O problema é saber ponderar e não entrar na fase de exaustão. Os limites tornam-se sutis e geralmente são ultrapassados”.

A rotina e os compromissos do dia-a-dia se tornam um prato cheio para uma vida estressante. Como não há cura para o estresse, é importante haver o controle, afim de não atingir as áreas social, afetiva, saúde e, até mesmo, profissional.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

De olho na sua visão


Miopia, astigmatismo e hipermetropia são três dos problemas mais comuns para enxergar

Por Thaís Bronzo


A luz do sol, o colorido dos pássaros, giz de cera, lápis de cor e até mesmo as letras e as palavras aqui escritas. Reconhecemos estes e outros objetos sem precisar tocá-los, tudo porque enxergamos.

Mas, às vezes, o mecanismo que faz com que os olhos vejam o mundo a nossa volta pode ter alguns probleminhas. Como é o caso da engenheira química Vanessa de Oliveira Pereira, de 25 anos, que, aos sete, começou a sentir fortes dores de cabeça, principalmente quando lia. “Eu não sentia dificuldade de ler, mas sentia muita dor de cabeça, porque não conseguia perceber que forçava a visão para enxergar. O oftalmologista diagnosticou miopia e astigmatismo, inclusive o último era bem alto já naquela época”, relembra ela.

De acordo com o oftalmologista Adamo Lui Netto, que também é professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a miopia existe quando a pessoa, ao focalizar um objeto, o faz na frente da retina. “Neste caso, dependendo do grau da miopia, o indivíduo terá uma visão borrada para longe que será tanto mais borrada quanto maior for o grau da miopia. Entretanto, esse indivíduo terá uma qualidade de visão boa para perto. Aqui não podemos considerar nesse conceito as altas miopias, isto é, superiores a sete graus”, afirma.

“No astigmatismo, os raios luminosos que passam pelos meios transparentes do olho não podem ser focados no mesmo ponto da retina. A imagem retiniana será distorcida e, dependendo do grau, dará uma imagem ruim para longe e para perto”, esclarece o oftalmologista.

Outro problema comum na visão é a hipermetropia. “Neste caso, os raios luminosos que penetram no olho formam a imagem atrás da retina e, dependendo da idade da pessoa, poderá ter a visão borrada para perto e para longe. Acima dos 40 anos de idade deverá usar óculos para longe e para perto”, completa o especialista.

Os tratamentos de miopia, hipermetropia e astigmatismo devem ser realizados de forma conservadora. “Inicialmente tratamos com correção óptica que deve ser realizada com a prescrição adequada de óculos. Após certa idade e dependendo da necessidade de correção pode-se prescrever e adaptar lentes de contato. A partir dos 21 anos de idade, pode-se fazer a correção óptica por meio de cirurgia refrativa, desde que o olho comporte a correção desejada e o grau esteja estabilizado há mais de um ano”, conclui o oftalmologista.

Mitos e verdades sobre os olhos

Especialista dá dicas para ter uma boa visão

Quem nunca ouviu: ficar muito tempo em frente ao computador estraga a vista; leitura em locais escuros ou em ônibus e metrôs podem trazer problemas; o uso de óculos pode prejudicar os olhos?

Essas e outras crenças são comuns quando o tema é visão. No entanto, o oftalmologista Paulo Augusto de Arruda Mello, que também é professor de oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que existem mitos e verdades sobre os nossos olhos. Ele enumera alguns:

-Criança que tem lacrimejamento não é perigoso: isso é mito. Os olhos não lacrimejam, isso pode ser sinal de obstrução das vias lacrimais ou, pior, pode ser sinal de glaucoma congênito, que precisa ser tratado imediatamente.

-Secreção dos olhos da criança, principalmente no segundo dia de nascimento, não é normal. Deve-se procurar um oftalmologista. E é mito que pingar leite materno no olho melhora, isso pode até prejudicar.

-Estrabismo na criança precisa ser tratado precocemente, não pode esperar a criança entrar na escola ou deixar para mais tarde. A visão que não foi desenvolvida na infância não será desenvolvida na adolescência.

-‘Meu filho só enxerga de um olho, por isso não deixo ler o dia inteiro, para não forçar a vista’: é mito. Isso não força o olho pelo qual ele enxerga.

-O uso de óculos só serve para enxergar melhor ou para realizar alguma atividade, não aumenta nem diminui o grau. Só é imperativo o uso de óculos no tratamento de estrabismo e com graus muito diferentes entre os olhos.

-Dizer que usar o computador prejudica os olhos é mito. O uso excessivo pode, sim, cansar. O computador provoca um fascínio nas pessoas, então ela fica muito tempo na frente. O ideal é usar de 50 minutos a uma hora e descansar dez minutos. Se a pessoa tiver um grau muito pequeno, imperceptível, usando o computador intensamente, ela pode sentir cansaço. Por isso é necessário usar os óculos em frente ao computador.

-Contrastes cansam mais. Então ler um texto escrito em papel branco com um fundo claro cansa menos que com um fundo escuro. Assim como ver televisão com a luz acessa cansa menos que com a luz apagada.

-Quando fazemos uma leitura intensa, diminuímos a freqüência em que piscamos, por isso o olho pode ficar seco, mas não prejudica a vista.

-A leitura no escuro, em carros, metrô, ônibus, não prejudica em nada a vista. O que ocorre é que algumas pessoas têm labirintite e sentem-se mal lendo em movimento.

-Presbiopia (não conseguir enxergar com nitidez objetos próximos) ocorre com o envelhecimento, começando geralmente aos 40 anos, não surge por causa do uso de óculos. Óculos não viciam, são apenas próteses para enxergar melhor.

E para quem quer ter uma boa visão, o oftalmologista dá algumas dicas:

-Todos os cuidados com a saúde são importantes, pois os olhos fazem parte do organismo e qualquer problema pode afetar a vista.

-Nunca colocar as mãos sujas nos olhos, pois a maioria das conjuntivites, por exemplo, vem do próprio paciente.

-Qualquer anomalia nos olhos, procure um oftalmologista.

As férias chegaram: e agora?


É hora de fazer tudo o que não deu tempo de realizar durante o ano

Por Thaís Bronzo


As férias chegaram e com ela o sentimento de liberdade, de fazer tudo o que não foi possível realizar durante o ano. Momento de dar um tempo no trabalho e nos estudos e aproveitar todas as horas do dia, que é inteirinho para você!

“Férias é o momento de relaxar, desestressar de tudo, do que estudou e trabalhou durante o ano. É todo aquele momento para si, que você não tem quando está trabalhando. É um período para curtir. Sempre que posso, vou a praia, viajo, saio com os amigos. Tudo o que eu não faço durante o ano, faço nas férias”, avalia a estudante Carolina dos Santos, de 21 anos.

“Quando tenho férias, eu descanso, durmo bastante, faço coisas que não consigo fazer quando estou trabalhando e estudando, como ir ao shopping, assistir a filmes. Só de ficar em casa, sem se preocupar com chefe e trabalho, já valem as férias”, diz, rindo, o editor de vídeo Jean Marques, de 27 anos.

“Férias é tempo para refletir sobre tudo o que passou e o que virá no próximo ano. Quando não viajo, costumo fazer as coisas que não dá tempo no dia-a-dia, como praticar esportes, dormir, descansar”, enumera o estudante Renato de Souza Bueno, de 19 anos.

Antes de ser um direito, as férias devem ser encaradas principalmente como uma oportunidade do trabalhador ou estudante autogratificar-se pelo ano intenso de atividades. “Uma oportunidade para colocar em dia os preceitos básicos da qualidade de vida e da felicidade, geralmente comprometidos pela jornada de trabalho: atenção à família, atenção a si próprio, repouso, lazer, reflexão”, explica o psicólogo Floriano Serra, que também é diretor de recursos humanos e qualidade de vida de uma empresa farmacêutica.

“As férias permitem que os alunos tenham um período maior para diversões em que possam se descontrair, ficar mais com a família, com os amigos e dedicar-se a outras atividades sociais. Também permitem mais tempo para a reflexão e, conseqüentemente, amadurecimento”, garante a professora Maria Rita Moino, que também é assistente de direção de um colégio de São Paulo.

“Sem as responsabilidades e pressões diárias do trabalho, o indivíduo relaxa a mente e conseqüentemente o corpo. Recupera sua auto-estima, sua afetividade e sua alegria de viver. De férias, é como se ele se transformasse em ‘outra pessoa’ – geralmente mais simpática que a ‘outra’”, completa Serra.

Além dos nossos desejos, as férias são ótimas para atender aos nossos requisitos biológicos. “Ou seja, dormir de acordo com o que o organismo exige, segundo sua necessidade biológica, que varia de pessoa para pessoa”, explica o biomédico Edson Delattre, que também é professor pesquisador do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Biologia da Universidade de Campinas (Unicamp). “O período de sono é requisito essencial para a saúde, bem-estar e produtividade do indivíduo. Há pessoas que se contentam com cinco horas e meia de sono por noite (pequenos dormidores), enquanto outras têm a necessidade biológica de nove horas e meia (grandes dormidores), que normalmente só pode ser atendido nas férias”.

Mas, para não voltar ao batente mais cansado e estressado do que quando saiu de férias, não é preciso muito, apenas planejamento: o que eu quero fazer nestas férias?

“As férias podem ser aproveitadas de diversas formas: viajar com a família e os amigos, passear em parques, visitar museus, conversar com os colegas, ler bons livros, ouvir boas músicas, assistir a filmes ou a espetáculos, enfim, atividades que dependem ou não de condições financeiras, mas, principalmente de nosso empenho para que aconteçam. E, na maioria das vezes, são as atividades mais simples as mais prazerosas”, enumera a professora Sandra Aparecida de Souza Sarto.

“Antes de tudo, programe-as de forma compatível com seus ganhos. Não tem graça nenhuma a pessoa voltar de férias endividada e preocupada com novas contas a pagar. Também gozá-las com equilíbrio e bom senso. Algumas pessoas têm a tendência de cometer excessos durante as férias. É preciso lembrar que os valores morais, culturais e espirituais jamais tiram férias. Ou seja, também não tem graça nenhuma voltar das férias com a saúde abalada ou com arrependimentos por ter feito o que não deveria. Até alguns quilinhos a mais, tudo bem, afinal, ninguém é de ferro”, finaliza Serra.

Viagem para a praia exige cuidados na alimentação


Nutricionista alerta para os perigos na hora de se alimentar a beira mar

Por Thaís Bronzo

É verão. Difícil resistir a um bom banho de mar e aos petiscos na areia da praia, não é mesmo?

“Quando eu vou à praia, como em quiosques, geralmente aqueles que têm pratos feitos. Gosto também de comer porção de anéis de lula. E só não como camarão frito porque tenho alergia. Eu escolho o quiosque com a melhor aparência e com bom atendimento”, diz a analista administrativo Suelen Silva, de 22 anos.

“Eu como muita fritura, camarão, bolo, muito sorvete. E como tudo isso nos quiosques da praia. Escolho os mais movimentados, porque, geralmente, são os melhores”, explica a assistente de produção Joice de Sousa, de 23 anos.

“Não costumo comer na praia, prefiro alimentar-me em casa, antes de sair. Na praia, eu tomo líquidos, principalmente sucos e água, picolé e açaí. Geralmente vou aos quiosques mais próximos de onde estou e verifico se não está sujo para, então, pedir algo”, fala a jornalista Luana Pereira, de 24 anos.

Às vezes, na hora que bate aquela fome, acabamos não prestando atenção onde e do que estamos nos alimentando. A nutricionista Roberta Stella explica que os alimentos devem estar bem acondicionados, caso contrário, podem sofrer deterioração. “Fazendo com que haja mudança na textura, cor, odor, sabor e, no pior caso, proliferação de bactérias e fungos que podem trazer mal-estar, como, por exemplo, diarréia e vômitos e, em casos mais graves, até a morte”, alerta.

A nutricionista aconselha verificar se os alimentos, principalmente as carnes, são conservados em freezer e se estão bem embalados, além de evitar alimentos pré-prontos. “As preparações devem ser feitas na hora. Evite também sanduíches com maionese e certifique-se que esta é industrializada e não caseira. Evite beliscar salgadinhos e biscoitos recheados, dê preferência para frutas, que são ótimas opções para serem consumidas na praia”, enumera. “Qualquer alimento suspeito deve ser descartado. Os maiores problemas estão na conservação dos peixes, camarões e mariscos. Evite os espetinhos de camarão e queijo vendidos por ambulantes. Prefira se alimentar em um quiosque ou restaurante com ambiente limpo e que os funcionários estejam adequadamente limpos, mãos e uniformes higienizados. Se possível, peça indicações de restaurantes e quiosques para pessoas que freqüentam a praia”, completa.

No caso das bebidas, principalmente dos sucos naturais, é preciso verificar se a fruta não está degradada. “Uma dica é verificar se elas não estão expostas ao sol. Note se elas estão acondicionadas em lugar fresco, de preferência, na geladeira. Em relação à água, verifique sempre se a embalagem não está violada”, assegura.

Para quem prefere levar os alimentos de casa, também é preciso atenção. “Utilize uma sacola ou bolsa térmica para evitar a exposição ao calor, fator que acelera a proliferação de microorganismos como bactérias, fungos e vírus”, conclui.

E para quem quer ter um dia saudável na praia, confira o cardápio preparado pela nutricionista.

Cardápio para dias de sol e calor na praia

Especialista dá dicas para um verão saudável

Quando estamos na praia, queremos esquecer tudo o que lembra a rotina de trabalho e estudo. E, geralmente, “esquecemos” também da nossa alimentação. De acordo com a nutricionista Roberta Stella, o ideal é estipular os horários para as refeições e, sempre que possível, evitar sair da rotina alimentar. “Dessa maneira, será mais fácil organizar a alimentação. As refeições que podem ser feitas são: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar”, enumera.

É importante evitar alimentos muitos gordurosos como frituras, molho branco, empanados, à parmegiana. “Uma alimentação rica em gorduras prejudica a digestão e causa mal-estar”, explica a nutricionista. “Evite qualquer tipo de excesso. Se possível, as bebidas alcoólicas devem ser evitadas, dê preferência à água mineral, água de coco e sucos naturais. Ingira alimentos ricos em água e de baixa quantidade calórica, como frutas, legumes e verduras. Beba, pelo menos, oito copos de água por dia”, completa.

Para fazer uma boa alimentação durante o dia a beira mar, a nutricionista preparou um cardápio especial para os leitores do Portal Padre Marcelo Rossi:

Café da Manhã
-1 copo de leite com café
-2 fatias de pão integral
-2 fatias de queijo branco
-1 pêra

Lanche da Manhã (praia)
-1 espiga de milho
-1 água de coco (evite a polpa do coco, pois é rica em gorduras e calorias)

Almoço
-3 colheres (sopa) de legumes cozidos
-1 posta (100 g) de peixe cozido ou assado
-4 colheres (sopa) de arroz
-1 copo de suco de fruta natural
-1 taça de salada de fruta

Lanche da tarde
-1 unidade de picolé de frutas

Jantar
-1 fatia de pizza (evite as pizzas que apresentam recheio rico em gorduras como, por exemplo, quatro queijos ou que contêm requeijão cremoso)
-1 copo de suco natural

Boa alimentação e um ótimo dia na praia!

Atenção! Sua pele pede cuidado


Nesta época do ano, a exposição ao sol é maior e os problemas de pele, como o câncer, podem aparecer

Por Thaís Bronzo

A pele é o maior órgão do corpo humano, correspondendo a 15% do peso corporal. É um órgão que delimita e reveste o organismo, protegendo-o e servindo de ligação com o meio externo. “É constituído de três camadas: a epiderme, externa, de revestimento; a derme, intermediária, que dá resistência; e a hipoderme, ou subcutâneo, camada de gordura que dá o ‘acolchoamento’ do órgão. Estas três camadas constituem um órgão dinâmico, elástico, protetor, que se renova constantemente, que é bastante impermeável, funcionando na regulagem da temperatura corporal, na homeostasia e na regulagem e excreção de toxinas”, explica o dermatologista Lucio Bakos, chefe do Serviço de Dermatologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. “Além disto, tem função sensorial, de defesa contra as agressões físicas, químicas, biológicas, metabólicas, imunológicas. A pele interage com órgãos internos e muitas doenças internas se manifestam primeiramente na pele”.

“Desde jovem, eu não tenho costume de tomar sol, pois tenho a pele muito clara. Por conta disso também, não tinha o costume de utilizar protetor solar”, lembra a aposentada Vilma Marini Divetta, de 79 anos.

“Antigamente não se falava em doenças de pele. Isso é um assunto relativamente novo. Eu costumo caminhar bastante durante o dia, quase sempre sem proteção”, afirma o aposentado Geraldo Divetta, de 82 anos, marido de Vilma.

A falta de cuidados com a pele pode causar danos terríveis, como o câncer. “Normalmente, todas as células dos tecidos do organismo se dividem e se reproduzem de maneira ordeira e uniforme, para que se possa crescer, repor tecidos desgastados e cicatrizar lesões. Por vezes, as células fogem do controle, dividindo-se mais rápido e em maior número que deveriam e formam massas conhecidas por tumores. Os tumores malignos são aqueles que não somente invadem ou destroem tecidos normais do corpo, mas também podem se instalar em locais longe do foco inicial, continuando sua agressão - as metástases”, detalha Bakos, que também é coordenador da Campanha de Prevenção ao Câncer da Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

De acordo com o dermatologista, os cânceres de pele podem ser:
-Os carcinomas, originados da epiderme, são cânceres epiteliais, das células de revestimento da pele. Existem dois tipos de carcinomas: o basocelular e o epidermóide;
-Os melanomas, originados das células produtoras de melanina - os melanócitos; e
-Os sarcomas e linfomas, originados da derme e da gordura, assim como dos vasos sanguíneos, dos glóbulos brancos na pele e dos nervos. São muito raros e não relacionados com o sol, por serem mais profundos em sua origem.

Os tipos mais freqüentes são o carcinoma basocelular, o carcinoma epidermóide e os melanomas. “Carcinoma basocelular (o tipo mais comum de câncer de pele, cerca de 75% do total) se apresenta como uma ferida que não sara, geralmente originada em um carocinho translúcido, mais freqüentemente na face. Tem crescimento lento, sendo o de mais fácil cura. Não costuma dar metástases”, detalha o dermatologista. “Carcinoma epidermóide (20% de todos os cânceres de pele) se apresenta como uma verruga endurecida, por vezes com uma ulceração na superfície, comum na face, lábio inferior e dorso de mãos. As metástases podem ocorrer, principalmente para linfonodos ínguas regionais”, diz.

“Melanomas, embora menos freqüentes que os outros cânceres, são extremamente mais perigosos. Podem se instalar em sinais pré-existentes ou aparecer em pele normal”, alerta. “Nas campanhas de esclarecimento utilizamos um lembrete para alertar sobre melanomas, ensinando o ‘ABCD’: A - Assimetria da mancha (passando uma linha no meio, um lado diferente do outro); B - Bordas irregulares (geralmente um sinal benigno é arredondado ou oval, não irregular); C - Cores variadas (preto, marrom, castanho e róseo na mesma mancha); D - Diâmetro acima de seis milímetros (a grossura de um lápis e em crescimento). Alguns acrescentam E - Elevação (caroço preto em crescimento)”, ensina.

“Apareceu uma bolinha perto do nariz. Fui ao dermatologista, que suspeitou de câncer de pele. Ele tirou um pedaço para fazer biópsia e constatou que era câncer”, lembra Vilma.

“O meu caso também era uma bolinha no rosto. Eu achei que não fosse nada, mas quando fui ao médico, já era câncer”, completa Divetta.

“O número geral de cânceres de pele tem aumentado significativamente nas últimas décadas. Considerando o melanoma, o mais agressivo dos cânceres de pele, sua incidência aumentou, em alguns estados da Região Sul do Brasil, de três para 12 por 100 mil habitantes”, contabiliza o dermatologista. Segundo pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o número de casos novos de câncer de pele não melanoma estimados para o Brasil em 2008 é de 55.890 entre homens e de 59.120 nas mulheres.

O dermatologista explica que a pessoa pode ter alguns fatores predisponentes para ter câncer de pele: pele clara (o câncer de pele é mais raro nos negros e asiáticos); predisposição familiar, em certos casos (melanomas); doenças cutâneas predisponentes (albinismo, xeroderma pigmentoso, nervos displásicos); exposição excessiva ao sol e a outros cancerígenos (raios x, alcatrões). “Havendo a junção destes fatores, o risco de câncer de pele é bem maior do que na população em geral. Os carcinomas são mais encontrados em pessoas de pele clara em contato crônico com o sol, principalmente em populações rurais, como os lavradores, pescadores. Já o melanoma é mais encontrado em indivíduos urbanos, que tiveram muitas queimaduras solares na infância e adolescência, principalmente durante o lazer”, alerta.

Se você abusou e corre o risco de ter câncer de pele: atenção! O diagnóstico precoce é importantíssimo, pois nele estão as maiores chances de cura. “Quanto mais no começo, tanto mais certa é a cura, quando ainda o tumor não teve a possibilidade de se espalhar”, garante o dermatologista. “O diagnóstico é feito pela suspeita clínica e a confirmação através de uma biópsia do tumor. De preferência, nos melanomas é feita uma remoção total da lesão, não somente de um pedaço, como nos outros cânceres da pele”.

E para quem já foi diagnosticado com câncer, acalme-se, a doença tem tratamento. “A cirurgia é fácil na medida que diagnostica precocemente. Retira o tumor com margem de segurança, para que ele não volte. Quando é recente, bastam alguns pontos e pronto. Quando diagnosticada mais tardiamente, pode dificultar um pouco mais. Pois pode gerar mutilações e até exigir uma cirurgia plástica”, explica o cirurgião cancerologista Ricardo César Pinto Antunes, que também é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.

Melhor prevenir do que remediar

Especialista dá dicas para evitar o câncer de pele

A causa mais importante de câncer de pele é a superexposição à luz solar, inclusive as lâmpadas de bronzeamento artificial. De acordo com o dermatologista Lucio Bakos, que também é coordenador da Campanha de Prevenção ao Câncer da Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia, indivíduos de pele clara, especialmente os de cabelos loiros ou ruivos, possuem mais probabilidade de ter câncer de pele. “Isto porque possuem pouca melanina‚ o pigmento que protege a pele contra a queimadura solar. Quanto mais escura a pele, mais melanina possui”, explica. Os negros, que possuem a maior quantidade de melanina, têm as menores chances de ter câncer de pele e, quando o fazem, este se apresenta nas áreas onde a melanina é mais escassa, como, por exemplo, palmas das mãos e plantas dos pés.

O sol é o cancerígeno mais importante para a pele clara das últimas décadas, pois é o único que permaneceu e até aumentou sua ação e seu uso, apesar do aumento dos conhecimentos científicos. “Trabalhos científicos correlacionam o sol com o câncer de pele de duas maneiras: o dano cumulativo, ou seja, mesmo o sol ocupacional (lavradores, pescadores, marinheiros -incluindo velejadores freqüentes -, trabalhadores da construção) ou um pouco de sol no mesmo local, a longo prazo, em pessoa suscetível, pode desencadear um carcinoma, que é o câncer de células de revestimento”, ressalta. Por isso que cerca de 80% dos carcinomas de pele são de face. “Por outro lado, existe uma nítida correlação entre número de queimaduras solares e de sol de lazer com os melanomas de pele, que incidem principalmente em áreas normalmente cobertas e em pessoas jovens que normalmente não tem contato freqüente com o sol e que querem ‘bronzear’ apanhando muitas horas de sol em um fim-de-semana”.

Além disto, 80% do sol cancerígeno e que enruga é absorvido antes dos 25 anos de idade! Desta forma, temos que reduzir o número de horas de exposição ao sol em nossa vida, principalmente na infância e adolescência. O dermatologista recomenda três coisas para que a pele não se complique com a idade:
-Nunca deixar a pele ficar vermelha com o sol, desde a infância. Usar roupas protetoras, filtros solares, guarda-sóis, chapéus, sombra de árvores, tetos, enfim, bom senso e procurar tudo que reduza o número de horas de UVB (raio ultravioleta de onda curta - que queima e é cancerígeno - mais forte das 10h às 15h);
-Não bronzear em excesso (quanto mais escuro o bronzeado, mais UVA foi absorvido - raio ultravioleta de onda longa, presente todo o dia, pois não é filtrado pelo ozônio, que pode desencadear melanomas e rugas); e
-Auto-exame da pele, a cada dois meses. Notou alguma lesão suspeita, procure um médico. Sempre chegará mais precocemente a um diagnóstico e a uma solução do problema.

Fim das doenças?


Análise sanguínea pode ajudar a prevenir e até curar enfermidades

Por Thaís Bronzo

O constante avanço da medicina faz com que vivamos cada vez mais e melhor. Doenças que arrasavam cidades, estados e até países, hoje são facilmente prevenidas com vacinas ou curadas com antídotos. E na busca por nos tornarmos imunes, foi descoberta uma nova forma de análise sanguínea que também examina as características ambientais que envolvem o paciente e suas possíveis influências no surgimento de patologias.

Em entrevista ao Portal Padre Marcelo Rossi, o especialista em medicina integrativa Alexandre Castelo Branco de Luca
, explica como os exames HLB e Campo Escuro pode ajudar na prevenção e até mesmo na cura de doenças.

Portal Padre Marcelo Rossi – O que são os exames HLB e Campo Escuro?
Alexandre Castelo Branco de Luca –
São exames realizados de microscopia na qual tem a finalidade de análise do sangue do ponto de vista funcional, ou seja, HLB é um exame de sangue da gota coagulada na qual podemos avaliar 40 tipos diferentes de morfologia correlacionada com várias patologias: radical livre, vitamina C, disbiose ou processos inflamatórios intestinal, metal tóxico, alteração hormonal, parasita, toxicidade, alteração de tireóide. Campo escuro é um exame de microscopia do sangue na qual avaliamos a morfologia sanguínea de alta resolução (43 tipos diferentes), ou seja, visualizamos ao vivo as células sanguíneas e suas alterações e correlacionamos com as patologias tais: disbiose ou processos inflamatórios intestinais, doença de Lyme, moxidação, anemia, parasita, alteração enzimática, alterações nutricionais como taurina, B12. Os dois exames juntos confirmam um ao outro.

Portal Padre Marcelo Rossi – Para que servem?
Alexandre Castelo Branco de Luca –
Como estes exames têm uma abrangência sobre várias patologias, sabendo-se que são 83 tipos diferentes de morfologias correlacionados a 147 tipos diferentes de doenças, podemos ter uma visão mais ampla da doença e seu mecanismo no organismo do paciente, bem como, sendo um exame de análise funcional, podemos agir de forma preventiva, diagnóstica, terapêutica e de seguimento do paciente.

Portal Padre Marcelo Rossi – Para quem são indicados?
Alexandre Castelo Branco de Luca –
Para todo o tipo de pacientes, desde a infância até a senilidade, sexo, raça ou classe social. Abrange a todos, sem discriminação.

Portal Padre Marcelo Rossi – Como são realizados?
Alexandre Castelo Branco de Luca –
Podem ser feitos no momento da consulta, na qual é realizado através de punção - igual ao exame de glicemia. Punciona-se o dedo através de uma técnica especial e o exame é colhido em duas lâminas, uma para o HLB e a outra para o exame de campo escuro.

Portal Padre Marcelo Rossi – Como são analisados?
Alexandre Castelo Branco de Luca –
Os exames são analisados na mesma hora que o paciente colhe o exame, pois tem a duração de uma hora aproximadamente. O paciente fica sentado na frente do examinador e é explicado item por item as alterações que estão ocorrendo.

Portal Padre Marcelo Rossi – Quais as providências que o paciente deve tomar após realizar esses exames?
Alexandre Castelo Branco de Luca –
Depende de cada caso. O tipo de avaliação na qual realizo não se resume exatamente num exame de sangue, e sim numa avaliação global do paciente. Após a avaliação do paciente dentro deste contexto, com a realização não apenas deste exame, mas de um conjunto de exames, podemos delinear um conjunto de medidas terapêuticas para poder melhor orientar nosso paciente, mas também para obtermos o êxito de nossa terapia e a cura do paciente.

Portal Padre Marcelo Rossi – Quais doenças são possíveis evitar com esses exames? Como?
Alexandre Castelo Branco de Luca –
Existe uma gama de doenças na qual podemos prevenir, como hipertensão, estresse, doenças degenerativas, depressão, doenças cardiovasculares, diabetes, problemas digestivos. A prevenção é realizada através de protocolos de tratamento, que são os mais diversos possíveis.

Acidente com idosos requer atenção


Além das conseqüências físicas, as quedas provocam piora na qualidade de vida

Por Thaís Bronzo


Tropeçar. Cair. Machucar-se. E, no final, a recuperação. Os acidentes podem ocorrer com todos nós, em qualquer idade. No entanto, as conseqüências dessas quedas são mais sentidas conforme envelhecemos. De acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), um terço dos atendimentos por lesões traumáticas nos hospitais do Brasil ocorre com pessoas acima de 60 anos.

Em entrevista ao Portal Padre Marcelo Rossi, a geriatra Daniela Simone Alves de Oliveira
explica como ocorrem os principais acidentes com idosos e dá dicas simples de como é possível evitá-los.

Portal Padre Marcelo Rossi – Como ocorrem os acidentes com idosos?
Daniela Simone Oliveira – A queda é o principal acidente que ocorre com os idosos e que muitas vezes traz, para eles, graves conseqüências, como traumatismos cranianos ou fraturas, além da piora da qualidade de vida, perda da autonomia e independência e isolamento social, já que o idoso começa a não sair mais de casa por medo de cair.

Portal Padre Marcelo Rossi – Quais as principais causas?
Daniela Simone Oliveira –
Com o envelhecimento, sofremos uma série de alterações fisiológicas como declínio visual, diminuição da força muscular, alteração do equilíbrio e sensibilidade, alterações na marcha e postura que, apesar de próprias para a idade, aumentam a chance de um indivíduo cair. Além disso, os idosos usam uma série de medicações, muitas vezes por conta própria, que podem aumentar o risco de queda, e apresentam várias doenças que pioram ainda mais esses riscos, como catarata, labirintite, hipertensão, diabetes e Parkinson.

Portal Padre Marcelo Rossi – Como é feito o tratamento e como ocorre a recuperação? Os acidentes podem resultar em outras doenças?
Daniela Simone Oliveira –
Com as quedas, podem ocorrer traumatismos cranianos graves, muitas vezes fatais ou levando os idosos a ficar com grandes seqüelas e fraturas, sendo o punho, o fêmur e as vértebras da coluna os locais mais comuns, principalmente se estiver associado à osteoporose. Nestes casos, geralmente, é necessário cirurgia, sendo a recuperação muitas vezes lenta e difícil. Em geral o idoso fica muito tempo acamado aumentando o risco de pneumonias e úlceras.

Portal Padre Marcelo Rossi – Como evitar esses acidentes?
Daniela Simone Oliveira –
Fazer um acompanhamento médico regular com um geriatra, avaliação oftalmológica anual, exames como densitometria óssea diminuem o risco de queda com fratura. Além de medidas simples que podem ser tomadas para evitar esses acidentes.

Evitar acidentes na terceira idade é fácil

Geriatra dá dicas que tranqüilizam idosos e familiares

Não é possível prever quando sofreremos uma queda ou um tropeção. Porém, precauções podem ser tomadas para evitá-los. A geriatra Daniela Simone Alves de Oliveira
dá algumas dicas que tranqüilizam idosos e familiares.

Em casa:
-Usar sapato adequado, com solado anti-derrapante, que fique bem preso aos pés;

-Retirar tapetes e móveis do caminho;

-Boa iluminação;

-Corrimões em escadas;

-Barras de apoio no banheiro;

-Evitar subir em escadas, bancos, lajes; e

-Evitar lavar chão, banheiro.

No dia-a-dia:
-Atividade física regular e exercícios como tai chi shuan aumentam a força muscular e equilíbrio e são essenciais na terceira idade;

-Tomar um pouco de sol e ingerir leite e derivados auxiliam na manutenção da massa óssea, sendo também muito importantes; e

-Usar óculos adequados e não ter vergonha de usar uma bengala como apoio ou pedir a ajuda de um filho ou amigo é também importantíssimo para que os idosos permaneçam mais tempo independentes e bem integrados na sociedade.

Guarda compartilhada: boa para todos


Projeto de lei transforma em regra o compartilhamento da guarda dos filhos em caso de separação dos pais

Por Thaís Bronzo


Separação, no dicionário, significa divisão, desunião, afastamento. Quando o casal resolve se separar, essa ruptura, às vezes, é drástica e sem possibilidade de amizade ou mesmo de convívio. O problema pode ganhar proporções maiores quando existem filhos na história. A separação pode transformá-los em ex-marido e ex-mulher, mas nunca em ex-pai e ex-mãe.

Quando os escritores Stella Florence, de 40 anos, e Eduardo Haak, de 36 anos, optaram pela separação, a felicidade da filha Olívia, de 6 anos, veio em primeiro lugar. “Nós não precisamos entrar na justiça para dividir a guarda da Olívia, fizemos isso naturalmente por continuarmos amigos. Foi uma decisão natural ela passar tanto tempo com o pai quanto com a mãe: ela é filha dos dois, afinal”, esclarece a mãe. “Papai e mamãe são basicamente o que sempre foram para ela. Com a diferença que ela sabe que papai e mamãe não são mais namorados”, lembra o pai.

O juiz de direito Luís Francisco Aguilar Cortez explica que, nos processos que chegam na vara de família, geralmente, os pais já tem um acordo de ajuste de guarda e o sistema de visita. “O juiz tem que arbitrar isso e uma das possibilidades é a guarda compartilhada”, diz.

A advogada especialista em direito de família Sandra Vilela ressalta que, apesar de não ser lei, hoje é possível encontrar juízes que fazem uma interpretação mais extensiva a atual legislação e já enxergam a possibilidade e necessidade de ser concedida uma guarda compartilhada. “Então, mesmo não existindo lei indicando expressamente a possibilidade da guarda compartilhada, ela está sendo utilizada a cada dia por mais casais”.

Pensando no bem-estar de crianças e adolescentes, foi criado na Câmara dos Deputados, o projeto de lei que torna regra a guarda compartilhada. O projeto já foi aprovado no Senado e retornou, em 30 de outubro, à Câmara dos Deputados para análise final.
De acordo com o relator do projeto (PLC nº 58, de 2006, sendo, na origem, nº 6.350, de 2002), senador Demóstenes Torres (DEM-GO) o modelo de guarda adotado hoje restringe a convivência dos filhos com o pai ou a mãe, principalmente com o pai, já que normalmente a justiça fixa que a mãe tenha o filho sob sua guarda e regulamenta direito de visita ao pai. “A regra vigente diz que um dos pais poderá visitar o filho e não conviver com ele. Ora, há enorme diferença entre visitar e conviver. Um filho que se avista com o pai quinzenalmente dificilmente estreitará com ele laços de amizade, respeito e exemplo”, argumenta ele, que também é procurador de justiça. “Então, o objetivo principal do projeto é determinar que o pai e a mãe compartilhem a guarda dos filhos menores. Ficam em igualdade de condições no que diz respeito aos direitos e responsabilidades. Dividirão não só obrigações materiais, mas também aquelas atividades do dia-a-dia, como, por exemplo, levar e buscar o filho na escola”.

“A situação de fato de cada casal a lei não muda. O que talvez mude com a aprovação do projeto é a ênfase em pelo menos tentar esse compartilhamento”, sinaliza Cortez.

Não há impedimentos para a guarda compartilhada. “Ela somente não será aplicada pelo juiz, após o parecer do promotor de justiça, quando um dos pais não se mostrar capaz de dividir o encargo ou a situação apresenta particularidade insanável”, garante Torres.

“Os pais não precisam ser amigos, para dar certo a guarda compartilhada. Eles precisam conseguir ter um mínimo de diálogo, o que é possível de se obter diante de uma mediação, por exemplo”, diz Sandra.

Para o advogado Nelson Sussumu Shikicima, também deverão ser observados alguns requisitos para a aplicação da guarda compartilhada. “Tais como os pais separados residirem próximos, ambos quererem a guarda e embora seja fixado um lar para o filho menor, deverá haver alternância de lares, sem que haja prévia fixação e por período curtos, para não confundir com guarda alternada”, elenca. “Entendo que, ainda no Brasil será difícil ser aplicada com bastante intensidade, pois, normalmente os pais se separam com algumas mágoas e ressentimentos, e infelizmente acaba sobrando para os filhos”.

“O importante disso tudo é que os pais combinem com muita regularidade o que cada um vai fazer e quando, para não confundir a criança”, ressalta a psicóloga Rosa Maria Macedo, que também é terapeuta de família e casal e coordenadora do núcleo de família e comunidade da PUC-SP.

A opinião sobre a guarda compartilhada é unânime: todos saem ganhando - filhos, pais e mães. Segundo Rosa Maria, é importante que os pais mostrem que, mesmo com o término do relacionamento amoroso, eles estarão sempre ao lado dos filhos, por isso é importante a convivência tanto com o pai quanto com a mãe. “Para isso é preciso muita conversa com a criança e muito acordo entre os pais”, garante.

Esta modalidade de guarda também auxilia as mães, que, geralmente, ficam incumbidas de cuidar e educar os filhos. “Assim a mãe pode trabalhar, por exemplo, e se surgir um imprevisto, ela sabe que pode contar com o pai para ficar com a criança”, observa Rosa Maria. Além de auxiliar os pais, tornando-os mais participativos na vida dos filhos.

Os pais de Olívia vivem os benefícios da guarda compartilhada. “Os pais não ficam sobrecarregados com os cuidados que crianças exigem, nem privados de um contato mais amplo com elas. As crianças têm duas casas, passeiam duas vezes mais e costumam receber mais atenção dos pais individualmente do que se eles estivessem juntos – o tempo tem mais qualidade por não ser infinito”, afirma Stella. “A Olívia adora morar na casa do papai e na casa da mamãe. Sobretudo ela sente o bom entendimento que existe entre nós - que foi conquistado com o tempo. Sua rotina é a mesma nas duas casas: acordar, tomar o café, tomar banho, brincar, almoçar, ir para a escola, voltar, jantar, fazer a lição e sair com o papai ou a mamãe”.

Para Stella, um entrave à guarda compartilhada é a dificuldade de aceitar que o outro tem uma maneira diferente de ver as coisas. “Ele não vai cuidar das crianças exatamente como você cuida e isso não significa que a maneira dele é pior ou melhor: é apenas diferente. Os pais devem entrar num acordo para que os valores morais passados às crianças sejam os mesmos e que as exigências da escola sejam cumpridas da mesma forma: ir além disso é interferir no livre arbítrio do outro”.

Sandra chama atenção para um fato muito importante. “Além da nova legislação precisamos de uma mudança cultural. Ex-conjugue não é inimigo. Quando se têm filhos, o ex-conjugue deve permanecer como parceiro, em nome do bem-estar do filho”.

“Ser pai ou mãe é diferente de ser marido ou esposa: por pior marido que ele tenha sido, ele pode e deve ser um bom pai. Por pior esposa que ela tenha sido, ela pode e deve ser uma boa mãe. Os adultos precisam deixar as mágoas do ex-parceiro ou da ex-parceira de lado, no que se refere ao cuidado dos filhos, pelo bem deles. Privar uma criança um segundo que seja de ver seu pai ou sua mãe é um crime - até os maiores criminosos podem ser bons pais”, finaliza Stella.

Meio ambiente: cuidar está em nossas mãos


Educação ambiental transforma conceitos em atitudes para que todos saiam ganhando

Por Thaís Bronzo

Para você, leitor, o que significa meio ambiente? Vastos campos, com vegetações, cachoeiras, pássaros? Pois saiba que a definição de meio ambiente hoje é mais abrangente. De acordo com a técnica em educação ambiental do Departamento de Educação Ambiental Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Rachel Marmo Azzari, deve-se levar em conta tudo que envolve os seres vivos, portanto, as construções, as ruas, a tecnologia, as artes, a religião, a política. “A relação do homem com o meio ambiente é muito mais de cuidado do espaço onde está inserido, tomando ciência que cada ação que realizamos localmente tem efeito global, podendo contribuir tanto para o agravamento quanto para a melhoria da situação ambiental atual”, afirma.

O presidente da Comissão do Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil, secção de São Paulo (OAB/SP), Carlos Sanseverino, lembra que o planeta tem recursos naturais que estão acabando, porque o ser humano consume mais do que a natureza é capaz de produzir para se manter. “O planeta está dando sinais de que precisa de cuidados e só há um caminho para reverter isso: cuidar da Terra”, alerta.

E uma das maneiras de ajudar o nosso planeta é colocar em prática a educação ambiental. A definição para isso é muito abrangente e dinâmica, mas, basicamente, trata-se de uma série de processos que levam à formação de cidadãos que entendem o ser humano como parte integrante da natureza e entendem a Terra em suas diversas interligações. “A partir disso, busca-se a mudança de atitudes, agindo conscientemente em prol da preservação e sustentabilidade dos recursos, com o objetivo de se obter a melhoria da qualidade de vida para todos, garantindo-a para as gerações futuras”, ressalta Rachel.

“A partir da visão de integração do homem com a natureza e do fato que somos diretamente afetados por todas as nossas ações, as pessoas passam a atribuir maior valor ao meio ambiente, partindo para uma mudança comportamental”, garante Rachel. Tudo o que exige mudança de comportamento, visando atitudes que melhorem o meio ambiente, é competência da educação ambiental. “Assim, a redução do volume de resíduos através da coleta seletiva para reciclagem, o uso racional da água e o consumo sustentável, por exemplo, são novas formas de agir com relação a recursos naturais que muitas vezes não prestamos atenção que estamos usando indiscriminadamente e desperdiçando”.

Como diz o ditado: educação vem de berço. Assim, os pais devem servir de exemplo para seus filhos. “Para tanto, devem agir de acordo com a nova consciência ambiental. Por exemplo: se pedem aos filhos para diminuírem o tempo do banho para economizar água e energia - ambos recursos naturais - devem também tomar banhos rápidos, para darem credibilidade a essa atitude. Da mesma forma, dizer aos filhos que é importante usar bem a água, mas lavam o carro ou a calçada com a mangueira, desperdiçando água potável e tratada, é um comportamento que não condiz com uma postura de interesse em preservar para os filhos um ambiente com boas condições de sobrevivência”, explica Rachel. “As pessoas tem que saber que um litro de óleo jogado na pia contamina um milhão de litros de água. Além disso, optar por materiais biodegradáveis e não por plástico, que demora muito para se decompor, usar bicicletas ao invés de automóveis, incentivar as crianças a plantarem”, enumera Sanseverino.

E como educação tem tudo a ver com escola, as instituições de ensino também têm um papel importante para o meio ambiente, ao abordar a temática ambiental em todas as suas disciplinas. “No entanto, não devemos colocar apenas nas crianças ou nas ‘gerações futuras’ a responsabilidade de se recuperar e preservar o meio ambiente, devemos começar agora, cidadãos do planeta Terra, de todas as idades, religiões e atividades”, adverte Rachel.

Rachel explica que por meio de ações como palestras, oficinas, divulgação em mídias e até apresentações lúdicas, a educação ambiental visa sensibilizar a população sobre a situação ambiental que enfrentamos e ao mesmo tempo mostrar como é possível e significativo cada um fazer a sua parte para que o planeta seja beneficiado. “Diz-se que é um trabalho de ‘formiguinha’, levando em consideração que um sistema com todas suas interligações funciona perfeitamente quando cada um dá sua contribuição”.

“A educação ambiental vem como instrumento para transformar os conceitos que grande parte da população já sabe em atitudes onde todos saem ganhando. Cuidar do meio ambiente é bom para o mundo todo; e, se é bom para o mundo, é bom para todos que estão nele”, finaliza Rachel.

É hora de brincar



Brincadeira é coisa séria tanto para crianças como adultos

Por Thaís Bronzo

Você, leitor, já brincou hoje? Não?! Acha que não tem mais idade para isso? Então fique sabendo que o ato de brincar é altamente recomendado para a manutenção da saúde mental de crianças e adultos. Segundo a psicóloga e orientadora psicopedagógica Marilene Lima, a palavra brincar é “plaisanter” em francês, que tem o mesmo radical de prazer (“plaisir”) e de agradável (“plaisant”). “Ou seja, percebemos que divertimento e graciosidade são predicados da brincadeira. Lúdico, que quer dizer a qualificação de tudo o que se relaciona com o jogo ou brincadeira, é ‘ludique’, que vem de ‘ludere’, ilusão, e é utilizado para caracterizar uma mentalidade, um comportamento ou ação”, explica. “Esses usos da palavra lúdico parecem apresentar um ambiente ou evento no qual a realidade tem um ‘que’ de brincadeira ou de jogo, ou seja, de prazer, de divertimento, de alegria”.

O ser humano manifesta sua humanização desde os tempos das cavernas por meio do brincar, nas pinturas rupestres, nas danças e em outros eventos. “Na civilização atual, percebe-se a presença marcante da brincadeira na vida do homem: as piadas; o futebol, que é a ‘paixão nacional’; os esportes em geral; a dança; o ato litúrgico e suas simbolizações; o carnaval; o computador; a televisão; o teatro; e até a política - brincadeira de quem pode mais, quem pode competir melhor”, enumera Marilene. “Todas estas são manifestações de que o homem gosta e precisa do ato lúdico que o transcende, ou seja, vai além de si e o faz vivenciar novas formas de visão de si, do próximo e do mundo”.

Portanto, brincar é essencial para a saúde física, emocional e intelectual. “Brincar é coisa séria porque na brincadeira a criança ‘re’significa seu mundo, se reequilibra, recicla suas emoções e sacia sua necessidade de conhecer e reinventar a realidade”, ressalta. “É brincando que a criança vai interiorizando o mundo que a cerca, na troca com o outro, vai se constituindo sujeito. Pode não ganhar nada com aquilo, não pagar nada também, mas recebe muito, faz a ‘mágica que só o homem sabe fazer’: simbolizar, significar e ser significado”.

Brincar também é aprender. “Toda e qualquer brincadeira ajuda a desenvolver atenção, concentração e muitas outras habilidades. O ato de brincar desenvolve, inclusive, o prazer em viver e, para isso, a criança precisa da presença preciosa de seus pais e de adultos mais experientes que possam conduzir, por exemplo, jogos de tabuleiro com regras. Adultos estes que farão uma interpretação, uma reflexão e um planejamento da ação lúdica da criança, no sentido de ‘ensinar-lhes’ a brincar de forma saudável e oportunizando-os jogos de qualidade”, garante Marilene.

“Através da brincadeira, novos modos de ser, se relacionar e viver são experimentados, com a vantagem de que, sendo de brincadeira, tais modos podem ser corrigidos, adaptados, repetidos, repelidos, configurando-se num importante recurso de aprendizagem da e para a vida”, acrescenta a pedagoga Tânia Ramos Fortuna, que também é professora de psicologia da educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde dirige o programa de extensão universitária “Quem quer brincar?”.

A professora de ensino fundamental I Paula Colella da Silva, de 28 anos, mãe de Maisa, de dois, tem a brincadeira em casa e no trabalho. “Em casa, a brincadeira com a minha filha segue pelo lado lúdico, da diversão mesmo. Já na escola, a gente ensina brincando, a brincadeira tem um enfoque pedagógico”, diferencia.

Mas, então, brincadeira é coisa séria? “Chegamos num ponto bastante discutido na área da educação de crianças, escolar e doméstica: quem tem de saber que brincadeira é coisa séria é o adulto, não a criança. É o adulto que vai ensinar brincando, sabendo muito bem de seus objetivos, a criança só precisa brincar”, lembra Marilene.

Como brincar?

Brincadeira deixa crianças e adultos mais felizes

Todo lugar é lugar de brincar e toda hora é hora de brincar, em qualquer idade. Essa é a afirmação da pedagoga Tânia Ramos Fortuna, que também é professora de psicologia da educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde dirige o programa de extensão universitária “Quem quer brincar?”. “Para tanto é preciso garantir o direito à brincadeira, o que implica oferecer meios e momentos propícios, o que requer, por seu turno, educadores preparados para brincar e fazer brincar”, afirma.

A família e a escola podem e devem participar das brincadeiras das crianças de maneira apropriada a cada fase do desenvolvimento. A psicóloga e orientadora psicopedagógica Marilene Lima, explica que o psicólogo Jean Piaget (1896-1980) estudou as várias etapas do desenvolvimento humano até a adolescência e alertou sobre as “fases do juízo da moral” que são construídas desde a mais tenra infância e tem uma relação direta com as fases do brinquedo:

-Ao período que vai desde o nascimento aos dois anos, ele chamou de período ‘sensório-motor’, pois a criança conhece o mundo por meio da manipulação e do movimento, assim, os brinquedos destinados a essa fase devem facilitar essa evolução. Os melhores brinquedos são os de textura macia (borracha, tecido, pelúcia), os musicais (caixinha de música e chocalhos), os que desenvolvem a acuidade visual (móbiles – enfeites que ficam pendurados no berço – e brinquedos coloridos) que convidam a aperfeiçoar seu tato e sua visão, deixar a criança circular livremente no chão também é importante, propiciar contato com brinquedos de banho, de empilhar, de encaixar, bolas coloridas, velocípedes, cavalinhos, carrinhos, entre outros, devem ser os privilegiados nesse momento;

-Ao período que vai desde os dois aos sete anos, Piaget chamou de ‘período pré-operatório’ ou ‘das operações concretas’, no qual ocorre a aquisição da linguagem. Nessa fase, os brinquedos a serem disponibilizados devem facilitar a criatividade e o simbolismo da criança. A musicalidade é muito importante nessa fase, assim, apresentar-lhes instrumentos musicais é bastante indicado, principalmente os de percussão. Os brinquedos ao ar livre continuam tendo sua validade e os de empilhar, modelar, esculpir (massa, areia, argila) são muito salutares; bolas grandes (de 20 a 60cm de diâmetro) e os brinquedos de empurrar e puxar são os favoritos (os de empurrar são os preferidos, pois a criança ‘sabe onde está indo’); carrinhos, bonecas, animais em miniatura, utensílios adultos em miniatura (de casa, móveis, de marcenaria, de médico, entre outros) dão aos pequenos a possibilidade de se expressarem livremente e dramatizar as cenas reais do dia-a-dia; brincadeiras de roda, trava-línguas e parlendas também são muito interessantes; material de desenho, pintura, colagem, recorte, fantoches, blocos de madeira e jogos de construção são também interessantes por seu potencial de aprendizado social e afetivo, bem como de projeção (inclusive de seus medos); inicia-se a fase de querer construir suas próprias coisas e a participar de seu tempo e espaço com mais autonomia.

Já Tânia ressalta a importância de brincar junto para o desenvolvimento dos filhos ou alunos. “Mas, atenção: não é preciso brincar o tempo todo ou agir como se fosse uma criança. O que realmente importa é o compartilhamento do patrimônio lúdico através dessas trocas entre as gerações, pois ele é parte do patrimônio cultural da humanidade”, ressalta. “Ser parceiro de jogos e brincadeiras, ensinando-as e aprendendo com os filhos, sem desqualificar o ato de brincar, em lugar de reforçar a tão temida imaturidade infantil, na verdade estimula a criança a crescer, vendo que ser adulto é algo atraente e prazeroso”.

A professora de ensino fundamental I Paula Colella da Silva, de 28 anos, mãe de Maisa, de dois, acredita que a brincadeira, nos dias de hoje, também representa um vínculo entre a família e a criança. “Como professora, eu vejo famílias que perderam o vínculo com os filhos, pela vida agitada que têm: acorda cedo para trabalhar e só volta para a casa à noite. Então, a brincadeira pode trazer esse vínculo, ser um momento de estar junto”, avalia. “Têm brincadeiras que minha filha brinca sozinha, mas em outras, como, por exemplo, uma boneca que tem, ela gosta de brincar comigo, criou um vínculo afetivo e eu brinco muito com ela”.

“Não existe certo ou errado quando se trata de brincar, pois a imaginação da criança não tem limites, mas é necessário bom senso e tato”, garante Marilene. “Com observação e paciência, o adulto pode descobrir as fases e necessidades lúdicas de suas crianças: descobrir seus gostos e prazeres e atuar como parceiro nessa encantadora caminhada rumo ao desenvolvimento sadio e equilibrado, tão em ‘falta’ na sociedade atual”.

“Como crê o psicanalista inglês Winnicott, é somente no brincar que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral, e somente sendo criativo pode descobrir seu eu”, conclui Tânia.

Programa incentiva doação de urina


Hormônio eliminado por grávida vira matéria-prima para produção de medicamento

Por Thaís Bronzo

Ser mãe, para muitas mulheres, pode representar um sonho inalcançável. E os motivos são variados. De acordo com o ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana, Caio Parente, cerca de 15% dos casais têm dificuldade para ter filho, sendo 40% por problemas relacionados ao sexo masculino, 40% ao sexo feminino e 20% aos dois.

Parente explica que todas as mulheres produzem dois tipos de hormônio: o Hormônio Folículo Estimulante (FSH, da sigla em inglês), que permite com que o óvulo cresça dentro do ovário, e o Hormônio Luteinizantes (LH), que faz o óvulo amadurecer. “Quando a mulher engravida, a quantidade desses hormônios aumenta e surge com a placenta o hormônio HCG”, relata. “O HCG estimula a ovulação e é um anti-abortivo, por isso sua quantidade é maior durante as 18 primeiras semanas de gestação, tornando a gravidez possível”.

E é exatamente este hormônio, produzido pelas grávidas, que serve de matéria-prima para a fabricação de medicamentos de combate a infertilidade feminina. “Depois que o organismo utiliza o hormônio HCG, ele é expelido pela urina. Quando a recolhemos a urina, estamos reaproveitando este hormônio”, destaca Parente.

Pensando nisso, foi criado, em 1986, o Programa HCG, que estimula a doação de urina pelas grávidas. “Para participar é muito simples: basta doar a urina durante os primeiros meses de gravidez”, Sílvia Lopes, gerente do programa. Como fez a autônoma Celi Caiado Regra, 46 anos, mãe de Bruna, 12, e Derik, 7. “Na primeira gravidez, eu não conhecia o programa, por isso, não doei. Mas, na segunda gestação, vi um anúncio sobre o programa HCG e resolvi me inscrever”, lembra. “Eu considerei a necessidade, a oportunidade de ajudar uma mulher que tem dificuldade de engravidar, de poder ter um tratamento”.

Segundo Sílvia, podem ser doadoras de urina as mulheres que estejam até, no máximo, o terceiro mês de gravidez para começar a doar, e que residam em cidades do Estado de São Paulo e Minas Gerais. “Inclusive as mulheres que se submetem a tratamento de infertilidade podem ser doadoras”, ressalta. Sílvia explica que a doação dura somente até a 18ª semana de gestação, ou seja, quatro meses e meio de gravidez. “Depois disso fica muito difícil extrair o HCG da urina”, garante.

Para doar a urina, a gestante precisa se cadastrar no Programa HCG por meio do telefone 0800-559022 (ligação gratuita) ou pelo site
www.programahcg.com.br. Após a inscrição, uma equipe de agentes de coleta visita o endereço indicado pela doadora (casa ou trabalho) e entrega os frascos para que a grávida comece a coletar a urina do dia inteiro (desde manhã até a noite). “Esses frascos contém um conservante que mantém o hormônio da urina até ela ser retirada. Isso dispensa a necessidade de manter o líquido no refrigerador”, detalha. “Posteriormente, a cada quatro dias, os agentes retornam para retirar a doação e entregar novos frascos limpos e com conservante para continuidade da doação”.

O hormônio HCG é extraído da urina e encaminhado às empresas que o utilizam na produção de medicamentos, que são vendidos apenas com prescrição médica a pacientes que sofrem com a infertilidade.

Celi conta que doar é muito fácil. “No início a gente vai se adaptando, a barriga vai crescendo, ficando pesada, mas a satisfação em poder ajudar é maior”, relata. “Na época falei para a minha filha, que tinha quatro anos, que eu estava doando urina e ela queria saber, ver como era, ela se interessou. Se precisasse doar de novo, eu doaria!”.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O que diz a sua voz?


De instrumento de comunicação a características de personalidade e emoção

Por Thaís Bronzo


Você já reparou o quanto utilizamos a nossa voz? Os motivos para não ficarmos quietos são inúmeros e as ocasiões para falar também.

“Uso a voz para transmitir meus pensamentos a todo instante. Dialogar no trabalho, fazer meu filho rir, cantar com os amigos, no chuveiro, enquanto dirijo. Agendo tarefas e encontros via telefone utilizando minha voz e brinco com as pessoas ao fazer imitações”, diz a radialista Carla Manso, 21 anos.

“Utilizo minha voz para expressar opiniões, vontades ou mesmo conversar com as pessoas que estão ao meu redor. Nunca imaginei ficar sem voz. Mas caso ocorresse seria extremamente complicado. Não que não haja outra forma de comunicação além da voz, mas estou acostumado a usá-la sempre”, afirma o estudante Raphael Divetta, 21 anos.

A voz, conforme a origem grega da palavra, phoné, quer dizer “som”. Ao mesmo tempo, existe a origem latina, vox, que significa “apelo”, “chamado”. “Considerando as duas origens que se complementam, podemos dizer que a voz é o som do apelo, do chamado que se dirige aos outros no uso da linguagem falada ou cantada”, explica a fonoaudióloga Maria Laura Wey Märtz, professora da Faculdade de Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), nas disciplinas de voz, linguagem oral e trabalho clínico terapêutico.

Para que possamos chamar um amigo ou pedir uma informação são necessárias várias ações. De acordo com a fonoaudióloga, a primeira delas é o desejo de comunicação do ser humano. “Ou seja, a voz só se desenvolve porque estamos, desde o nascimento, inseridos em uma comunidade que se utiliza da linguagem verbal para a interação com os outros seres humanos”, explica. “Através do contato com outros é que aprendemos nossa língua materna e é nesse contexto que nossa voz vai adquirindo as características que lhe são próprias: qualidade, sonoridade, tons, pronúncia, modulações”.

Além do aspecto de comunicação, a fonoaudióloga também ressalta as estruturas e funções orgânicas que possibilitam a emissão da voz. “O ar que sai dos pulmões passa pela traquéia e chega até a laringe na qual se situam as pregas vocais. Nesta altura, por ação dos músculos da laringe e também pela pressão do ar, as pregas vocais vibram e produzem o som, que será modificado pelas diversas articulações da boca, lábios e língua, bem como pela passagem deste som para a cavidade do nariz”, acentua.

Pode parecer complicado, mas utilizamos a voz desde que nascemos, ao dar o primeiro choro. “Um bebê, por exemplo, tem a voz bastante aguda e isto se deve ao fato de sua laringe se situar bem alta no pescoço e seus músculos, cartilagens e ligamentos ainda estarem em desenvolvimento. Com a descida da laringe, por volta de quatro a cinco anos, bem como pelo desenvolvimento das estruturas, a voz se firma e se agrava um pouco”, conta.

Uma grande mudança ocorre na puberdade de forma mais perceptível nos meninos do que nas meninas. “O rápido crescimento e as variadas mudanças corporais vão fazer com que a voz se torne mais grave. É uma fase de transformação que pode levar meses ou alguns poucos anos”, continua. “Na fase adulta a voz se firma e temos freqüências normalmente mais graves do que na criança. Durante o envelhecimento pode ocorrer de a voz mudar, tornando-se mais grave nas mulheres e mais agudas nos homens. Pode haver menor controle respiratório e um enfraquecimento do volume, perda da precisão articulatória e da possibilidade de se fazer compreender, mas tudo vai depender das condições mais gerais de saúde do idoso”.

Além do envelhecimento, outros fatores também refletem em nossa voz. “Ela pode indicar estados emocionais, como tristeza, alegria, desânimo, agitação. Pode também apontar aspectos da personalidade, tais como amabilidade, autoritarismo, vigor. Sexo, idade, tipo de formação sócio-cultural também podem ser apreendidos”, enumera. No entanto, a fonoaudióloga alerta para a flexibilidade e mudanças da voz. “Como nós mesmos mudamos nossos estados emocionais, afetivos, físicos, não apenas de um dia para outro, como de um ambiente social para outro: não falamos do mesmo jeito com um diretor de uma instituição, com um familiar, com um amigo, com um namorado; as situações de interlocução afetam nossa voz e modo de falar, de escolher as palavras e de entoná-las”.

Mesmo com as mudanças, a voz é a nossa “marca registrada”. Nossas vozes são diferentes porque somos seres singulares, com uma formação física específica e com uma história também particular. “Cada ser humano tem um percurso de vida e isso inclui o lugar em que nasceu, a língua que aprendeu a falar e como aprendeu, as pessoas com as quais conversa ou não, as atividades educacionais e culturais que exerce, enfim, suas experiências intelectuais, afetivas, sociais, psíquicas, além de suas características físicas: estes aspectos é que irão definir a singularidade de cada voz”, conclui a fonoaudióloga.

Como vimos, a voz pode dizer muitas coisas, por isso é preciso cuidar muito bem dela

Voz: cada um tem a sua (mas você pode mudar)

Terapia de problemas da voz modifica alguns aspectos prejudiciais da produção vocal

A voz tem qualidades próprias, como ser clara, rouca, áspera, aveludada. Pode ser mais forte ou fraca, mais aguda ou grave, mais melodiosa ou monótona. Pode soar mais nasalizada, como num resfriado, embora a pessoa não esteja resfriada. Cada um tem uma voz própria, mas há quem não goste muito do que ouve de si.

A fonoaudióloga Maria Laura Wey Märtz, professora da Faculdade de Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), nas disciplinas de voz, linguagem oral e trabalho clínico terapêutico, explica que é preciso saber quais mudanças são desejadas pelas pessoas e os motivos. “Por exemplo, pode-se trabalhar para eliminar a rouquidão da voz de uma pessoa, desde que ela queira ou compreenda a necessidade. Do contrário, a pessoa se sentirá perdendo algo que a caracterizava, uma parte de sua identidade, sua voz ‘rouquinha’ como todos sempre a conheceram”, exemplifica.

Ainda de acordo com a fonoaudióloga, na terapia de problemas da voz é possível modificar alguns aspectos prejudiciais da produção vocal. “Algumas vezes observamos transformações maiores na voz, como no caso dos rapazes que falam com voz infantil e passam a falar com um tom mais grave. Em outras situações as mudanças são sutis, a voz se torna um pouco mais melodiosa, a pessoa passa a falar com mais vitalidade, mais tranqüilidade, retirando-se os esforços às vezes físicos, às vezes emocionais durante a fala com outros”.

Mas, além da preferência, algumas mudanças na voz podem caracterizar problemas. “Os sinais são traduzidos pelas pessoas como queixas: dor ou ardor na garganta ao falar, sensação de corpo estranho na garganta, esforço e cansaço ao falar. Podem ser também sinais auditivos, como voz rouca, áspera, muito fraca, trêmula, muito soprosa, muito tensa”, enumera. “Essas características podem se referir a disfonias, que são problemas de voz, ou pode acontecer a afonia, que é a ausência de voz”.

Segundo a fonoaudióloga, os problemas de voz podem ter causas orgânicas como tumores, traumas na laringe, gripes que causam inchaço nas pregas vocais, e problemas neurológicos que causam tremor na emissão vocal. “Outros problemas podem ser causados por mau uso ou abuso vocal persistentes, como gritar ou falar muito, fazer esforço ao falar, não respirar de forma coordenada, ter hábitos prejudiciais à mucosa das pregas vocais”, diz. Esses são problemas chamados funcionais, que demandam terapia para que não desenvolvam alterações, como os nódulos de pregas vocais, os popularmente chamados “calos de corda vocal”. Há também os casos de alteração de voz por problemas emocionais e psíquicos, em que não se constata alteração orgânica, mas a pessoa perde a voz.

Independente da voz, caso perceba alguma alteração, é importante consultar um médico ou fonoaudiólogo, para avaliar a necessidade e o tipo de terapia mais adequado. “O tratamento é necessário sempre que houver alterações orgânicas ou do funcionamento que tragam sofrimento ao paciente”, ressalta. “É importante também que a pessoa procure um especialista quando perceber mudanças persistentes na qualidade vocal, como, por exemplo, rouquidão por mais de duas semanas”.

Atenção: cantores de chuveiro


O que faz bem e o que causa um mal danado para a sua voz


Para quem está acostumado a usar a voz como o principal meio de comunicação, ficar sem ela, mesmo que momentaneamente, pode parecer até castigo. Por isso, para evitar essa situação incômoda, a fonoaudióloga Maria Laura Wey Märtz, professora da Faculdade de Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, nas disciplinas de voz, linguagem oral e trabalho clínico terapêutico, explica que existem muitas pesquisas a respeito do que faz bem e mal para a voz. “Inicialmente seria importante que cada pessoa pudesse observar em si, seus hábitos, sua alimentação, a forma como se hidrata e a forma como utiliza a voz, para que chegasse às suas próprias conclusões”.

Mas, de um modo geral, a fonoaudióloga dá orientações para uma boa produção vocal, principalmente para quem utiliza a voz de forma profissional:
-Hidratar-se;
-Coordenar bem a respiração ao falar, evitando utilizar o ar até o fim;
-Falar de forma confortável, evitando gritar, fazer esforços exagerados ou mudanças bruscas entre agudos e graves;
-Cuidar da ingestão de líquidos que podem ser frios ou quentes, mas não extremamente gelados ou fervendo;
-Cuidar do sono e da alimentação. Alimentos muito ácidos, picantes ou salgados podem ressecar a mucosa, assim como ingestão excessiva de álcool e uso de cigarros;
-No ambiente de trabalho é importante verificar as condições físicas, sociais e emocionais que podem prejudicar a boa produção da voz: poeira, ar condicionado muito forte, relacionamento difícil com colegas e superiores, estresse são fatores que precisam ser observados e, se necessário, atitudes devem ser tomadas para modificar qualquer destas situações;
-O profissional deve ter pausas em seu trabalho, pois falar por horas a fio é um grande esforço vocal;
-No caso de artistas, cantores, atores, normalmente é necessário um trabalho mais específico de técnica vocal, que irá abordar as necessidades profissionais como, por exemplo, modulação, projeção, ressonâncias e afinação, impulso e sustentação respiratória;
-Alimentos que engrossam a saliva, como chocolate e derivados de leite, podem prejudicar a produção vocal e por esse motivo devem ser evitados em momentos próximos ao uso mais intensivo da voz. Nestas situações, o ideal é consumir alimentos mais adstringentes, frutas como maçãs e pêras; e
-Ainda quanto à alimentação e digestão, pessoas que apresentam muita acidez e refluxo estomacal devem procurar o médico, pois o refluxo causa forte irritação e ressecamento das pregas vocais.

Além dos hábitos saudáveis, a fonoaudióloga cita exercícios que ajudam no bem-estar da voz, indicados quando há problemas ou quando se trata de aquecer a voz para uso profissional. Neste último caso, trabalhando a respiração intercostal, para sustentar a coluna de ar sem tensionar a musculatura laríngea:
-Trabalhar a produção de sons variados, com a boca fechada e aberta, buscando uma emissão livre, em pequenos vocalizes (escalas de tons musicais), vibramos o som na boca, com MMMM, NNNN, TRRRRR (vibração de língua), BRRRRR (vibração de lábios);
-Cantar em um tom a seqüência natural das vogais, observando movimentos mais precisos de lábios e língua: u, ô, ó, a, é, ê, i;
-Articular seqüências de sons ou trava-línguas para soltar a articulação, combinando consoantes com vogais (tra, vra, pra, cla, etc); e
-Entoar uma canção simples, dizer um poema.

“Enfim, são inúmeros os exercícios possíveis, mas o mais importante em qualquer deles é que se pratique com ciência do que se faz e com atenção concentrada, para que se possa experienciar seus efeitos. Nenhum exercício deve ser feito só por fazer, de maneira automática, pois além de não contribuírem, podem prejudicar”, explica.

E a fonoaudióloga finaliza: “Boas conversas e belas canções são ótimas para a voz”.

Mães para o que der e vier


Mulheres que enfrentam a maternidade sozinhas para defenderem quem mais amam: seus filhos

Por Thaís Bronzo


Ser mãe: o começo de uma nova vida, o início de um novo ciclo. Também significa transpor barreiras, enfrentar o mundo para fazer feliz quem mais importa: um filho. Assim é, principalmente, para as mulheres que encaram a maternidade sozinhas: as mães solteiras.

“Estou grávida”
Gravidez não planejada: geralmente é esta situação que leva muitas mulheres a terem seus filhos sem a ajuda dos companheiros. É o caso de Roseli Pires, de 21 anos, mãe de André Ricardo. “Engravidei com 17 anos, do meu então namorado. Namorávamos havia pouco tempo. Foi uma gravidez inesperada, apesar de que sabíamos que poderia acontecer”, relembra.

Renata Zucher, de 27 anos, mãe de Luiza, também não esperava a maternidade. “Engravidei com 24 anos, de uma história que não era um namoro. Gravidez não planejada e que, mesmo tomando os cuidados necessários para evitá-la, aconteceu”, diz.

A reação
“Quando desconfiamos da gravidez, meu então namorado me disse que tudo bem, ele falaria com os meus pais, com os pais deles, a gente ficaria junto. Disse que o bebê seria um menino, que ele o ensinaria a jogar futebol, fez mil planos”, conta Roseli. “Mas depois ele começou a dizer que não queria um bebê, que era muito novo, 19 anos. Sugeriu que abortasse, mas recusei. Então ele começou a dizer que me deixaria e me colocou em uma posição onde eu teria que optar por ele ou pelo nosso filho. Não tive dúvidas, optei pelo bebê”.

Já Renata pensou em interromper a gravidez. “Minha primeira reação foi pensar em aborto, porque eu estava terminando o segundo ano da faculdade e pensava em nunca ter filhos. A reação dele, no início, foi de negar, mas depois ele queria o aborto e eu não quis”.

Decisão: ser mãe solteira
A decisão de criar, cuidar, educar sozinha uma nova vida que está chegando ao mundo não é fácil.

Roseli encarou a maternidade como uma responsabilidade que tinha de assumir e assim fez. “Minha mãe logo soube e me deu muito apoio. Continuei estudando e tive muito apoio dos colegas. Contei para os pais do meu ex-namorado e tive apoio deles também”.

“A partir do momento que decidi continuar grávida, resolvi ser a melhor mãe que poderia ser e é assim que faço até hoje”, conta Renata. “Meus pais aceitaram numa boa, me apoiaram nas decisões que tomei e continuei morando com eles. Já os amigos fizerem festa e ela se tornou a mascote da turma, indo com a gente para todo lugar”.

Mesmo com toda aceitação e apoio, não ter um companheiro com quem dividir as alegrias e as descobertas dessa nova fase da vida do homem e da mulher faz falta. “Passei uma gravidez solitária. E tinha uma esperança de que depois que nosso filho nascesse, o pai dele se arrependesse e voltasse para mim. Mas não foi isso que aconteceu”, lembra Roseli.

Cadê o papai?
Passados nove meses, Roseli e Renata estavam na sala de parto com André Ricardo e Luiza, respectivamente, nos braços. Esta data também marcou o relacionamento entre essas mamães e os papais de seus filhos.

“O André Ricardo tem contato com o pai praticamente desde que nasceu. Quando era menor, o pai e os avós paternos iam visitá-lo, depois que ele tinha uns oito meses, começaram a levá-lo para passear e dormir lá”, conta Roseli. “A rotina agora é um fim de semana comigo, um fim de semana com eles”.

Renata também não escondeu de Luiza quem é o seu pai. “Ela sabe quem é o pai dela, o conhece e ele de vez em quando vem vê-la, além das datas especiais, como Natal, aniversário”.

Mãe x Mulher
Além da maternidade, as mães solteiras não podem esquecer que antes de tudo são mulheres e têm todo o direito de refazerem suas vidas amorosas.

“Eu passei quase três anos sem namorar direito, só com ‘paquerinhas’ rápidas. Porque era condição essencial que os pretendentes gostassem do meu filho, não precisaria sustentar, porque eu já trabalhava e tinha o meu salário, mas precisava gostar e estar disposto a educá-lo comigo mais tarde”, relembra Roseli. “Eu sou casada há dois anos com outra pessoa e desde o primeiro dia disse que tinha um filho, na época com um ano e dez meses. Ele disse que pai não é aquele que faz, é aquele que cria. E assim foi. Meu filho diz a todos que tem dois papais e chama meu marido de papai também. Somos muito felizes e estamos esperando outro filho. Será o nosso segundo, pois o meu filhote é o nosso primeiro, meu marido quem diz isso”.

Melhor mãe do mundo
E para quem está passando por uma situação parecida com a de Roseli e Renata, aqui vão algumas dicas.

“A maternidade é de longe o maior aprendizado na vida de uma mulher, você tem a chance de ser uma pessoa melhor, só para dar um bom exemplo pro teu filho. Não perca essa chance. Você se realiza vendo seu filho se tornar uma criança bem educada, feliz e consciente”, garante Roseli. “É a melhor coisa do mundo chegar em casa e meu filho me dar um abraço apertado e me chamar de ‘princesa’. E o último conselho: nem todos os homens são iguais. O que te fará feliz pode não ser o pai do seu filho, então desencane se ele te deixar. Curta seu filho e fique tranqüila que o que é teu, chegará até você”.

“Namoros, estudos, trabalho, sempre estarão aí para serem realizados, mas reviver a infância de uma criança que saiu de você, é algo que só acontece uma vez”, diz Renata.

As histórias podem ser parecidas, os desfechos nem sempre são os mesmos, mas a recompensa, esta sim, não há nada que pague!

Do lixo ao luxo

Reciclagem ajuda o meio ambiente, a economia e a sociedade

Por Thaís Bronzo


Lugar de lixo é no lixo. Mas será que tudo que jogamos fora realmente não tem mais utilidade? De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produzia, em 2000, mais de 125 mil toneladas de lixo por dia. Desse total, 47,1% era destinado a aterros sanitários, 22,3% a aterros controlados e 30,5% a lixões.

Ou seja, muito lixo e pouco espaço para armazená-lo. Uma das maneiras de diminuir essa quantidade é a reciclagem ou o reaproveitamento do lixo. “Reciclar significa fazer novamente a partir do produto final que seria jogado fora”, explica o técnico em meio ambiente e coordenador do programa de coleta seletiva da Prefeitura de São Paulo, Jetro Menezes. Materiais como vidro, plástico, metal e papel podem ser reciclados, mas, hoje, de tudo o que jogamos no lixo, apenas um pouco é destinado para a reciclagem. “O restante vai parar nos aterros e lixões, onde pode levar milhares de anos para se decompor, dependendo do tipo de embalagem”, completa.

Além de diminuir a quantidade de resíduos enviados aos aterros e lixões, a reciclagem também é importante ambiental, econômica e socialmente. “Pois preserva o meio ambiente, com a redução de energia no processo de produção e com a diminuição da retirada de matérias-primas da natureza, como petróleo, areia, árvores, entre outras”, explica o diretor técnico da Cooperativa de Reciclagem Crescer, Jair do Amaral.

Segundo o diretor executivo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), André Vilhena, o impacto econômico da reciclagem pode ser visto na geração de oportunidades, principalmente para as comunidades carentes. “A reciclagem cria postos de trabalho. Atualmente, existem 800 mil catadores, em todo o Brasil, que fazem coleta na rua”, ressalta.

Como reciclar?

Ao contrário do que se pode imaginar, reciclar não é tarefa difícil. Basta começar.

Primeiro, separe os resíduos recicláveis dos não-recicláveis. São materiais recicláveis:
-Papel: jornal, revista, caixa, papelão;
-Vidro: garrafa de vidro, copo, pote;
-Metal: lata, clipes, grampo, papel alumínio; e
-Plástico: garrafa e copo plásticos, cano, saco.

Antes de guardar os objetos recicláveis, limpe e seque-os.

Depois é só destinar esses materiais a instituições de coleta seletiva ou aos catadores.

“Começar a participar do programa de coleta seletiva de sua cidade e seu bairro, colaborar com entidades e cooperativas que realizam esse trabalho, bem como de outros trabalhos de educação ambiental, plantio de mudas, economia d’água e energia elétrica, reduzir o consumo de produtos com embalagens não recicláveis, exigir no supermercado, padaria e açougue embalagens biodegradáveis e viabilizar em sua rua, condomínio, igreja, etc., a participação efetiva desses na conservação e preservação de nosso ambiente”, conclui Amaral.

O planeta conta com a ajuda de todos nós.

Aprenda a reciclar papel em casa

Técnico em meio ambiente ensina passo a passo

O papel é feito de madeira. Portanto, para fazer uma folha é preciso derrubar árvores. E cada árvore demora anos e anos para crescer. De acordo com o técnico em meio ambiente e coordenador do programa de coleta seletiva da Prefeitura de São Paulo, Jetro Menezes, uma tonelada de papel reciclado corresponde de dez a 20 árvores adultas que deixam de ser cortadas. Além disso, diminui o consumo de água, pois na fabricação de uma tonelada de papel reciclado são necessários apenas 200 litros de água, já no sistema convencional este volume pode chegar a 100 mil litros. Sem contar os benefícios da reciclagem como um todo.

Com tantas vantagens, que tal fazer papel reciclado na sua casa mesmo? Jetro Menezes, que também ministra cursos sobre papel reciclado (
www.jetropapelreciclado.com.br), dá a receita:

Você vai precisar:
-bacia de plástico (para colocar telas);
-balde;
-mesa;
-varal e pregadores;
-água limpa;
-liquidificador;
-cola em pó (opcional – dá mais firmeza ao papel);
-panos para estender as folhas (tamanho das telas);
-jornal (para forrar a mesa e o chão);
-sulfite branco ou colorido, papel Kraft e papelão (usados, mas sem sujeiras ou gordura);
-avental;
-esponja; e
-telas.

Modo de preparo:

Cigarro: só lá fora!


Campanha marca semana de combate ao fumo

Por Thaís Bronzo

O tabagismo foi responsável por 100 milhões de mortes no século 20, de acordo com a Aliança de Controle do Tabagismo (ACT). E a expectativa para este século não é nada animadora: ainda segundo a ACT, se nada for feito, a previsão é de um bilhão de mortes.

Além da sensação de prazer e liberdade, o tabaco é utilizado em ambientes familiares e muitas vezes seu uso é incentivado por parentes e amigos. No entanto, o tabagismo é considerado uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), já que a nicotina presente no cigarro causa dependência e alterações físicas, emocionais e comportamentais no usuário. “O tabaco é causador das mais sérias dependências de substâncias psicoativas”, garante o psiquiatra e coordenador da área técnica de atenção ao dependente de substâncias psicoativas da Secretaria de Saúde da cidade de São Paulo, Sérgio Seibel.

Segundo a ACT, o cigarro contém mais de 4.700 substâncias químicas, das quais 60 são cancerígenas, e está associado a diversos tipos de doenças. E o problema se estende para quem não fuma, ou seja, o fumante passivo.

Também chamado de tabagismo passivo e de exposição involuntária ao fumo ou à poluição tabagística ambiental (PTA), o fumo passivo é a inalação da fumaça de produtos derivados do tabaco por não-fumantes. “O tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte evitável no mundo”, ressalta a diretora executiva da ACT, Paula Johns.

Não-fumantes, quando expostos a PTA, podem sofrer efeitos imediatos da fumaça, como irritação dos olhos e nariz, tosse, dores de cabeça e garganta. No caso dos bebês, há um risco maior de ocorrer a síndrome da morte súbita infantil, que é a morte repentina e inesperada, durante o sono, de crianças com menos de um ano, sem uma causa específica. Crianças podem apresentar maior incidência de infecções do ouvido médio, redução do crescimento e da função pulmonar, aumento da freqüência de tosse, chiado e doenças respiratórias. Em adultos, há um risco maior de câncer de pulmão e infarto do coração, além do desenvolvimento e agravamento de bronquite crônica e enfisema.

O que diz a lei?

A proibição do uso de cigarros, cigarrilhas, charutos e cachimbos ou qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo, privado ou público, virou lei no Brasil em 1996, com a promulgação da Lei 9.294, alterada em 2000 e 2003.

Em 2005, entrou em vigor a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, o primeiro tratado internacional de saúde pública, que recomenda a elaboração e aplicação de leis de ambientes fechados livres de fumo, além da educação da população e a fiscalização do cumprimento da lei.

Mesmo com as históricas leis que “não pegam”, autoridades e a população em geral não estão de braços cruzados. Em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, campanhas como “São Paulo Respirando Melhor”, lançada pela ACT, discutem a questão da saúde ocupacional e as possíveis soluções para o problema do fumo em ambientes fechados.

Paula Johns explica que a campanha não tem como objetivo pressionar o fumante, nem convencê-lo a parar de fumar. “Essas campanhas servem para a população criar consciência da questão da saúde pública, com efeitos didáticos. Mas não basta ser didático, é necessário que todos façam a sua parte”, garante.

O público-alvo da campanha da ACT são os freqüentadores de bares e restaurantes, locais de exposição à fumaça do tabaco. “É uma questão de saúde ocupacional. O garçom, por exemplo, fica exposto oito horas por dia aos efeitos do tabaco, porque é o seu local de trabalho. Então, a ACT tem como objetivo mobilizar a sociedade. E a população está pronta. Em dezembro de 2006 foi feita uma pesquisa em que 85% dos paulistanos aprovam a proibição (de fumo em lugares fechados) e 79% dos fumantes também aprovam”, completa.

Como garantir seus direitos

Todos têm o direito de respirar ar limpo. E uma maneira de saber se o estabelecimento cumpre a lei é o Selo Ambiente Livre do Tabaco. A coordenadora estadual do Programa de Controle do Tabagismo e secretária executiva do Comitê para Ambientes Livres de Tabaco (Cepalt), Luizemir Wolney Carvalho Lago, explica que o selo é voluntário e serve para promoção da saúde, já que garante que é proibido fumar no local, com placas de proibição e sem cinzeiros. “Para a população saber o que é bom e o que é ruim. Quando a Secretaria estimula a não permitir fumar em suas dependências, nem os fumódromos, a pessoa toma consciência de que faz mal”, crê. “Pesquisas internacionais revelam que pessoas fumantes acabam fumando menos. Então, melhora a qualidade de vida de todos”.

Além do selo, a ACT dá algumas dicas para garantir o cumprimento da lei em ambientes fechados: fale com o responsável pelo local sobre a existência da lei e a necessidade de sua aplicação; e denuncie para as autoridades responsáveis, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ou vigilâncias sanitárias estaduais os locais que não cumprem a lei.

“O tabagismo é uma tradição antiga, mas é uma batalha da vida contra a morte”, finaliza o médico e vereador de São Paulo (PSDB), Gilberto Natalini.

Lembre-se: nunca é tarde para parar de fumar!